Liderança e a Pirâmide de Maslow

*Por Djalma Moraes.

Abraham Harold Maslow foi um psicólogo americano, conhecido pela proposta Hierarquia de necessidades, sendo que, para melhor entender sua funcionalidade foi adotada a imagem de uma pirâmide. Isto na realidade não corresponde ao conceito desenvolvido por ele, pois previa uma estrutura em forma de espiral, pois, as necessidades se interpõem de maneira dinâmica e não estaticamente.


Pirâmide de Maslow, como é conhecida.

Sempre fui um crítico da maneira com que se explicavam as teorias desenvolvidas por ele, achava que faltava alguma coisa para dar consistência, até que me deparei com a ideia abrangente da espiral, pois, condiz mais com o que é humanamente possível.

Todos nós, de alguma forma, lideramos, somos liderados, influenciamos e somos influenciados. Isto ocorre nos mais diversos ambientes em que vivemos, só que muitas vezes, não percebemos o efeito de nossas atitudes e não acreditamos no nosso poder de liderar. Nossos poderes, forças ou virtudes, não importa como são chamados, são gerados pelas experiências que temos desde a mais tenra infância, quer seja na família, escola, múltiplos ambientes que frequentamos durante a nossa vida, sendo que, o domínio sobre estes valores a maioria das vezes, ocorre sem que ajamos com plena consciência, ou seja, tornam-se automáticos. Assim sendo, dentro do ambiente corporativo, mesmo que não queiramos, podemos demonstrar muito do que trazemos de nossos modelos mentais advindos dos ambientes que fizeram parte de nossa formação, o que não é bom, nem ruim, dependendo da maneira com que for utilizado.

Liderar, conduzir, guiar, significa que estamos promovendo mudanças nas pessoas ao nosso redor, significa que elas têm confiança naquilo que projetamos, tanto pela comunicação verbal, quanto não verbal. A coerência entre estes dois fatores é dá consistência ao trabalho do líder em qualquer ambiente que esteja, escola, igreja, empresa, comunidade ou família. Cuidar para que este movimento não seja interrompido é de grande importância e começa com o desenvolvimento do autoconhecimento e pela identificação real das necessidades pessoais e organizacionais. Costumo dizer que até mesmo Bill Gates, em algum momento terá fome, sede, vontade de dormir, mesmo sendo uma das maiores fortunas do mundo e tendo superado as necessidades básicas, ou que, um morador da periferia, em algum momento terá a necessidade de aprovação, ser admirado e estará em busca de crescimento/mudança em seu estado geral.

Os líderes modernos contam com muitas ferramentas para ajudá-los a corrigir seus gaps nas competências técnicas ou emocionais, sendo imprescindível estar atento ao próprio comportamento, aos sinais dados pelo corpo ou às observações feitas por pessoas de confiança (parentes, esposa, amigos, gestores), como assim? Sabemos que uma pessoa que esteja com fome terá baixa produtividade. Sabemos que uma noite mal dormida produzirá muita sonolência e desgaste no dia de trabalho. Sabemos que a falta de reconhecimento ou feedbacks, provocará falta de motivação e diminuição da auto estima. Sabemos, mas não praticamos, tanto com nossos subordinados, quanto conosco, pois procuramos estabelecer juízos antecipados ou justificativas para nossa displicência em relação ao assunto.

Ao olharmos para a criação de Maslow, podemos observar o quanto é complexo alcançar a plenitude, pois, mesmo alcançando sucesso financeiro, se não estivermos bem conosco mesmo, sofreremos intensamente de insatisfação e descontentamento. Se passarmos fome ou nos privarmos das necessidades básicas, poderemos adquirir diversas enfermidades, tanto físicas, quanto psicológicas. Daí, surge a necessidade de buscar o equilíbrio, quer seja adotando uma administração mais humanizada, onde se possa ter e dar voz à todos os que estão sob nosso comando, implantar programas que zelem pela saúde pessoal, financeira e mental de cada um, estimular a criatividade através de atividades que envolvam cooperação, trabalho comunitário ou assistencial. Abrir espaço na própria agenda para cuidados pessoais, exames médicos de rotina, atividades físicas, controle alimentar, novos aprendizados. Em relação aos subordinados, saber delegar tarefas e poderes, criar um ciclo/espaço para conversas informais sobre família, projetos, ações que estejam desenvolvendo. Desenvolver ações de impacto em parceria com entidades que cuidem de jovens, crianças ou idosos, pintando espaços, consertando coisas, acolhendo, cantando juntos, brincando ou até apadrinhando durante o ano, dando à outra pessoa a condição de se sentir pertencente a um meio que a aceita e incentiva.

Fica a dica: procure saber onde você está desta pirâmide/espiral e o que fará para alcançar a satisfação da necessidade mais premente?

Djalma Moraes é Sócio Consultor da MQS Consultoria e Treinamento Empresarial, Diretor da ABRH-SP Regional Baixada Santista, Psicólogo, coach, instrutor e consultor em RH e Empreendedorismo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *