Por Paulo Queija.
Outro dia, eu estava conversando com uma pessoa próxima e perguntei como estavam seus planos para atingir o que ela queria. A sua resposta foi: “O plano é não ter plano, simplesmente fazer!”
Depois de muitos anos trabalhando em consultoria e capacitação de empresários e líderes, com foco em potencializar os resultados pessoais e empresariais, ouvindo essa frase de maneiras diferentes, me peguei pensando em uma personagem muito interessante do filme “Procurando Nemo”, a “Dory”.
Para quem não viu ou não se lembra, Dory é um peixe Cirurgião-patela azul com nadadeiras amarelas que sofre de amnésia anterógrada, um transtorno que dificulta a memorização de novas informações. Muito alegre e sempre otimista, toda nova informação que recebia, em poucos segundos ou minutos, ela esquecia. Isso torna a personagem muito engraçada e envolvente. Mas o que me chamou a atenção é o lema que utiliza para sua vida quando se depara com situações desafiadoras. Ela diz: “Quando a vida te decepciona, qual é a solução? Continue a nadar! Continue a nadar!” (na parte da solução, ela canta enquanto nada, bem empolgante).
Por um lado, essa é uma filosofia muito interessante. Enquanto algumas pessoas se fazem de vítima, se paralisam e acabam culpando outros ou situações, nesse movimento sugerido por ela, pode-se fazer o que precisa ser feito e dar continuidade à vida. Podemos até nomear algumas qualidades para esse comportamento: atitude, iniciativa, protagonismo.
Excelente, não é mesmo?
Por outro lado, deixo um alerta: movimento pelo movimento, sem direção, pode ser mais prejudicial do que ajudar.
Daí vem o nome: Síndrome de Dory. São aquelas pessoas que só fazem, fazem, fazem, e depois reclamam que as coisas demoram, que o resultado não chega, ou que trabalham muito e tudo é tão “custoso”.
Mas, peraí, eu tenho metas, sei o que quero. Perfeito, isso é ótimo. Mas qual o caminho que quer percorrer para chegar nessas metas? Isso importa? Claro que sim. Quem tem boca vai a Roma, diz o ditado. Mas quem verifica o mapa, ou traça as possíveis rotas utilizando o GPS, terá melhores condições de chegar aonde quer e no tempo que quer.
Quer um dado? A falta de planejamento na pré-abertura de um negócio e na condução dele, após iniciado, ainda é um dos grandes fatores de quebra das micro e pequenas empresas. Em torno de 70% não chega a completar 1 ou até 2 anos de existência. Não se planeja sobre o produto ou serviço de forma correta, o público que irá atingir, ou mesmo o mercado em que irá atuar e até mesmo em como gerenciar a empresa. Enfim, esses são alguns tópicos que ampliam essa lista.
Com isso, as metas são importantes, e traçar o que faremos para atingi-las é fundamental, pois isso economiza muita ação desnecessária. Maaasss… não para por aí.
Quando estamos executando o plano, é necessário, após a sua aplicação, o acompanhamento e a verificação da necessidade de mudanças de rota. Isso mesmo, às vezes é um pequeno ajuste, mas, em outros momentos, mudamos muitas coisas.
Já acompanhei e orientei empresários em diversas situações. Um exemplo foi uma empresa de roupa do estilo street wear que atuava no varejo. Quando foram fazer o planejamento estratégico, ao estudar seu mercado após alguns anos de atuação, confirmaram que o faturamento tinha muitos picos devido à sazonalidade e o comportamento do público na época e isso era um problema. O que fazer? Poderia ser algo para ajustar a rota, com relação ao produto, marca…
O caminho escolhido foi outro. Os empresários, ampliando a visão mercadológica, foram em busca de novos mercados, pensando na expertise que tinham e, daí, o foco mudou. Traçaram o plano mirando o público corporativo e criaram, utilizando a mesma marca que tinham, uma grife voltada a uniformes e roupas para eventos promocionais. Resultado? Aumento de faturamento, mais previsibilidade e recorrência, atuação comercial em todo o país, e não mais somente em sua região.
Outra situação… No início de 2020, quando o mercado de uma empresa de comunicação visual tinha como carro-chefe a confecção de fachadas de comércios, que, aliás, estava em pleno crescimento e já tínhamos planejado os passos para que o ano fosse o melhor de todos os tempos, uma surpresinha chegou para todos nós: a pandemia. A partir de março, ao invés do que foi planejado, a empresa teve seu faturamento quase chegando a zero e tudo mudou…
Voltamos a sentar e repensar o negócio. Havia uma ideia engavetada para o futuro e esse foi o momento para trazê-la à tona. Em resumo, vamos mudar a atuação agora para a comunicação visual destinada à decoração de residências e empresas, painéis internos, entre outros produtos e serviços. Além disso, vamos mudar para uma outra cidade vizinha, que possui um público de varejo também muito ávido por decoração, aliado à criação de posters personalizados, papéis de parede, entre outros. E foi então que a empresa se renovou, cresceu o seu faturamento e agregou um mix maior e mais lucrativo para o negócio.
Citei esses exemplos de empresas, mas podemos falar sobre vários casos de situações de vida, de liderança, dentro de áreas e muito mais.
O importante que quero ressaltar é a importância de não queimarmos as etapas. Nessa perspectiva, podemos dizer que as fases são claras, ou seja, existe o momento de:
- planejar,
- executar,
- acompanhar a execução,
- fazer medições no caminho
- efetuar correções quando necessário
- colher os frutos de todo o processo.
A partir disso, é possível chegar nos resultados, ou mesmo superá-los.
Isso quer dizer: sem “o como”, “o quando” e “o quanto”, provavelmente “o que” e “o para onde” podem não acontecer como se gostaria. Mas utilizar na hora certa o lema de nossa querida e simpática amiga oceânica, a Dory, é primordial, e aí sim eu recomendo: continue a nadar, com foco, organização e direção. Se fizer isso, a probabilidade de crescimento será bem maior.
Sucesso! E vamos em frente!